Imaginei-te de longe,
um pesadelo fora
na realidade confusa
onde me encontro
sem me achar.
De facto, por cada acto
que sai de mim
pergunto-me se sou eu
ou consequência do que aconteceu.
É torturante quando sabemos
que o sub-consciente mente na sua percepção
e queremos do consciente o coração
mas nesta guerra solitária somos nós que perdemos.
Criamos um passatempo por necessidade,
não pela carência mas pelo medo da sociedade,
entre as imitações, opiniões e o lazer
perdemos totalmente a nossa identidade.
E no início do fim ou o fim do início,
quando já perdemos qualquer noção da realidade
passamos a ser mais um entre muitos na vala comum...
a alma única perde-se dentro do seu próprio corpo
e o talento parte-se dentro do seu próprio ovo.
Mas há quem viva no razoável que é a vida reles,
eu torturo-me porque involuntariamente visto outras peles.
Não tenho culpa de ser ser humano e de me torturar
na dor de outros a quem devo amar,
podia lutar, de facto, sei as razões e as soluções
(muitos viveram despercebidos de si mesmos,
eu vivi em problemas e tive de parar na vida através de reflexões)
mas fiquei frágil, cheio de rugas invisíveis
do esforço que fiz para sorrir,
agora estou fraco, já não aguento discussões tais
que me façam sofrer mais.
Apesar de tudo, tenho consciência que fugir e fingir
não existe em relação a estes fantasmas
porque eles comem-nos a vida, trincam-nos lentamente,
além disso, este é o século vinte e um,
não nos podemos falhar com este presente.
É tempo de deitar fora o que já morreu
e de entender o que fazer quando na minha vida
há mais que um protagonista (não sou só eu,
são o sangue que o meu coração bombeia)
e se me for abaixo, que se foda,
alguém tem de estar acima desta merda toda,
alguém tem de empurrar o barco quando os ventos são desfavoráveis,
alguém tem de sacrificar a sua própria infelicidade
para contornar os problemas incontornáveis.